
A egressa de Arquitetura e Urbanismo Tathiane Nunes participou da criação do (R)existência, um projeto de extensão da Unesp de Bauru, formado em setembro de 2024. A iniciativa tem como objetivo mapear a Ocupação Aliança, que possui mais de mil moradores do município, em busca de contribuir para a implantação de infraestrutura pública no local. Meses após sua criação, em janeiro de 2025, o projeto venceu o edital anual do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU - SP), que subsidia equipes de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS).
“O objetivo deste edital é fomentar projetos que atuem em territórios precários, que tenham questões de habitação e de direitos à cidade para serem resolvidos”, conta Tathiane. Ela também reitera que a Ocupação Aliança foi um loteamento criado pela Prefeitura de Bauru nos anos de 1980 e previa a doação de terrenos para famílias de baixa renda. Entretanto, o poder público não concretizou a ideia e o local permaneceu sem infraestrutura. A egressa afirma que a definição de diretrizes urbanísticas pode ajudar os moradores a terem instrumentos para cobrar o município.
A ideia do projeto de extensão surgiu entre os membros do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Desenvolvimento Urbano Contemporâneo (LabDUC). “Nós sentimos que além do grupo de pesquisa, precisávamos ter um braço para atuar de forma prática junto com a comunidade. Assim, buscamos o Escritório Modelo de Arquitetura da Unesp (Emau) e criamos a extensão, coordenada pelo Prof. Dr. Estevam Vanale Otero”, conta.
Após a definição do projeto, Tathiane se uniu com Camila Moreira e Bruna Urze, que também são egressas de Arquitetura e Urbanismo, e juntas elas submeteram a iniciativa ao CAU, assinando como equipe técnica. Com a verba adquirida, as egressas contrataram seis graduandos que atuarão como estagiários durante os 10 meses previstos pelo edital. Além disso, a iniciativa continua sendo uma ação extensionista dentro da Unesp e estudantes voluntários também participam.
Diálogo para definir ações
“Queríamos uma parceria entre a universidade e a associação dos moradores, por isso as decisões são tomadas com base no diálogo. Durante os nossos encontros levamos uma foto aérea atualizada da ocupação, para nos ajudar a definir os limites de cada lote, assim como o alinhamento deles com as futuras ruas e as calçadas. Juntos pensamos onde ficarão as praças, os espaços de lazer, as áreas verdes e os locais para as crianças brincarem”, conta a arquiteta.

A arquiteta auxilia a definir o mapeamento do bairro através de foto aérea. Foto: arquivo pessoal da egressa.
A unespiana explica que existem dimensões para criar projetos básicos, assim o mapeamento indicará onde podem ser colocadas ligações de água e esgoto e quantas precisam ser feitas, uma vez que ainda falta saneamento no bairro. “Recentemente, eles conseguiram que a empresa concessionária instalasse postes de energia elétrica no local. Essa foi uma grande conquista”, ressalta.
Outro objetivo do (R)existência é levantar os dados socioeconômicos das famílias residentes. “Com essas informações buscamos ajudar a pleitear alguns direitos, mostrando que é um espaço com crianças, pessoas com deficiência e idosos, que precisam de uma série de infraestruturas e serviços básicos”, destaca.
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Momento de reunião e dialogo com os moradores locais. Foto: arquivo pessoal da egressa.
Relação da egressa com a Unesp
“Sempre gostei dessas questões relacionadas ao urbanismo, mas achava que não era para mim. Entrei na Unesp bem mais velha e já tinha outro trabalho, mas comecei a pensar que talvez pudesse concretizar esse desejo. Em 2019, resolvi ousar sonhar”, lembra.
Tathiane ressalta que também tinha a vontade de democratizar a Arquitetura para auxiliar a população e, por isso, acabou se encontrando em ações extensionistas. Hoje, além de ser parte da equipe técnica do (R)existência, ela também trabalha como analista técnica em um escritório privado de Arquitetura.